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MT recupera plantio com ‘chuvas de manga’

Apesar de ter começado duas a três semanas atrasado, o plantio da soja se recupera a passos largos após cada chuva e deve fechar dentro do prazo agroclimático em Mato Grosso. Oeste e Centro-Sul são apontadas como as mais problemáticas, por terem contado apenas com “chuvas de manga”, que parecem borrifadas no horizonte e nem sempre se espalham. Respondem por 20% das lavouras de soja do estado e terão de fazer replantio. Os casos de implantação frustrada, no entanto, são considerados exceção pelo setor.

Os preços entre R$ 65 e R$ 70 por saca estimulam o cultivo e, no final das contas, o estado cumpre a meta de ampliar a área plantada, para cerca de 7,9 milhões de hectares. Conforme as projeções iniciais da Expedição Safra Gazeta do Povo, a expansão se aproxima de 14%. Os ânimos tendem a se renovar nesta semana, com chuvas de 10 milímetros por dia para praticamente todo o estado. Regiões incialmente atrasadas podem concluir a semeadura em três semanas.

“Dependendo da resposta das plantas, teremos redução de 2 mil hectares de soja, do total de 52,3 mil que planejamos cultivar no Oeste de Mato Grosso”, disse à Expedição Safra o agrônomo Cláudio da Luz, do Grupo Bom Futuro. Ele explica que a prioridade nas sete fazendas da região foi seguir o plano anual, que envolve o calendário das culturas sucessoras da soja – algodão e milho.

Nas áreas que estão comprometidas com o algodão – cujo plantio começa em 20 de dezembro –, houve semeadura de soja antecipada mesmo sem umidade ideal. Nas áreas de milho – cultivado a partir de 20 de janeiro –, o plantio de verão teve mais tempo. “Nas piores áreas de soja, vale a pena implantar o algodão direto”, afirma Luz.

Apesar do risco de redução de 6% no Oeste, o Bom Futuro mantém seu plano de chegar a 200 mil hectares de soja em 2012/13, com expansão próxima de 5%. Mesmo na região que enfrenta falta de chuva, dois terços do plantio já foram concluídos.

Nossa área foi ampliada de 23 mil para 25 mil hectares e, apesar das chuvas menos constantes, a produtividade pode passar de 60 sacas [3,6 mil quilos por hectare]”, disse Alves. No ano passado, a marca das fazendas foi de 56 a 58 sc/ha.

O ânimo de encerramento de plantio se espalha por Mato Grosso. Com 1,2 mil hectares em Sorriso, a capital brasileira da soja, Sadi Zanatta aproveita as chuvas para fechar as apostas na supersafra. O preenchimento das fileiras com falhas, concentradas nas bordaduras, é feito com uso da matraca (plantadeira manual).

Paraná entra na reta final da soja

Luana Gomes, enviada especial

Com chuvas de até 200 milímetros nos últimos quinze dias, o Paraná tirou o atraso no plantio da safra de verão 2012/13. Apesar de ter sido iniciada mais tarde que o normal, a semeadura do milho já foi concluída e os trabalhos de campo da soja caminham para a metade final no estado. No Oeste, Norte e Centro-Oeste paranaense, regiões mais adiantadas, menos de 10% da área planejada para a oleaginosa ainda não receberam sementes. No Sudoeste, as plantadeiras ainda têm pouco mais de 50% das lavouras para percorrer, a maior parte delas implementadas na resteva do trigo, cuja colheita está em fase final da região.

No Norte do estado, produtores afirmam que os níveis de umidade ainda estão aquém do ideal e que algumas lavouras tiveram problemas de germinação e há áreas onde o stand é desuniforme. No geral, contudo, as plantações apresentam boas condições e ainda mantêm potencial para ao menos 50 sacas (3 mil quilos) por hectare. Já no Centro-Oeste, Oeste e Sudoeste, chuvas regulares levam a pausas periódicas nas atividades, mas permitem que as plantas se desenvolvam com vigor nas áreas já semeadas.

Estrela da safra 2012/13 paranaense, a soja avança não apenas sobre o milho, seu tradicional concorrente direto no verão, mas ganha terreno também sobre a cana e o café até sobre áreas de pastagem. Em Capitão Leônidas Marques, no Sudoeste, os irmãos Alaor, Ivanor e Juliano Zeniewicz correm contra o tempo para finalizar o preparo do solo em uma área de 138 hectares que até o ano passado ocupada por 200 cabeças de boi. Neste ano, o pasto dá lugar à soja e o trator que puxa a grade é seguido de perto por outro que acoplado a uma plantadeira. “O proprietário fazia cria e recria de bovinos nesta área, mas resolveu desmanchar tudo e arrendar para grãos. Pode ser que no ano que vem volte tudo, vai saber… Mas não podíamos deixar de aproveitar essa oportunidade né”, explica Alaor.