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Soja invade reino do algodão no Oeste baiano

A família Zution decidiu reduzir a área de algodão para dar espaço a soja
A família Zution decidiu reduzir a área de algodão para dar espaço a soja
Jonathan Campos/Gazeta do Povo

A soja volta a brilhar como a estrela do Oeste baiano. Com rentabilidade elevada e mercado garantido, a oleaginosa tira terreno do milho e cresce a passos largos até mesmo sobre áreas de São Desidério – o reino do algodão no Brasil, município cujo Produto Interno Bruto (PIB) agropecuário vem chegando a R$ 2 bilhões nos últimos anos, graças ao cultivo da pluma. Essa tendência foi conferida pela equipe da Expedição Safra Gazeta do Povo que percorre o Centro-Norte do país durante 15 dias até o final desta semana.

Ganhar terras de culturas tradicionais, entretanto, é pouco para a soja. Nesta safra, os agricultores baianos apostam ainda na abertura de novas áreas e na implantação de lavouras sob pivôs (equipamentos de irrigação artificial), que geralmente rendem mais sacas por hectare que o normal.

A Associação de Produto­­­res e Irrigantes da Bahia (Aiba) estima que o avanço da soja será de 135 mil hectares na safra 2012/13 em relação ao ano passado (11%). Desse terreno, 121 mil devem ser roubados do algodão. O restante será cedido pelo milho e pelo café. “Não há tendência de mudanças consideráveis nos preços do algodão nos próximos anos. Praticamente 100% dos produtores da pluma que reduziram área migraram para a soja”, explica Ernani Sabai, assessor de agronegócios da Aiba.

O casal Célio e Zirlene Zution, de Roda Velha, em São Desidério, decidiu ampliar em 1,5 mil hectares a área da oleaginosa de uma só vez. Do total, 600 hectares foram “roubados” do algodão, que deve ocupar somente 43% dos 1,4 mil hectares usados no ano passado. Eles abriram 500 hectares neste ano e têm mais 1 mil hectares a serem cultivados. “O mercado do algodão está parado e não promete futuro. Além disso, o custo de produção e os riscos são altos”, avalia Célio, um paranaense que saiu de Realeza na década de 80 e hoje se considera um baiano de coração.

Ao ser questionada sobre a mudanças de planos, a mulher da fazenda, que hoje prepara a filha mais velha, Carolina, para assumir os negócios da família, argumenta com números de projeção de rentabilidade para as três culturas plantadas. Segundo ela, soja e algodão têm receitas semelhantes (R$ 1,7 mil por hectare), se considerados os preços atuais, custos e produtividades esperadas. “A diferença é que para a soja não falta mercado, com preço alto ou baixo”, diz Zirlene.